O US Open 2026 começa oficialmente neste domingo (30), em Nova York, com uma notícia frustrante para o tênis brasileiro: João Fonseca não disputará o último Grand Slam da temporada. O jovem tenista desistiu do torneio por causa de uma lesão abdominal e, depois da eliminação de Thiago Seyboth Wild no qualifying, o Brasil ficou sem representantes na chave principal de simples.
A ausência de Fonseca muda completamente o panorama brasileiro em Flushing Meadows. Pela primeira vez desde 2018, o país não terá um jogador na chave de simples do US Open. A esperança, agora, está principalmente nas duplas — e o momento de alguns brasileiros nesse formato é bastante promissor.
Por que João Fonseca está fora do US Open 2026?
João Fonseca anunciou sua desistência do US Open em 24 de agosto. O brasileiro, então número 26 do ranking da ATP, explicou que exames e o tratamento de uma lesão abdominal indicaram a necessidade de mais tempo para recuperação antes de retornar ao alto nível.
A decisão aconteceu depois de outro episódio de abandono. Fonseca já havia desistido do Masters 1000 de Cincinnati por causa do mesmo problema físico, antes de enfrentar Christopher O’Connell na terceira rodada.
A ausência pesa especialmente porque Fonseca vinha sendo um dos principais nomes da nova geração do tênis mundial. Em 2026, o brasileiro alcançou as quartas de final de Roland Garros e chegou ao US Open como número 26 do mundo.
O calendário, porém, ainda reserva uma possibilidade de retorno para o brasileiro.
Fonseca foi convocado para representar o Brasil na Copa Davis contra a Suíça, confronto marcado para 18 e 19 de setembro, no Rio de Janeiro. A convocação indica que a expectativa da equipe brasileira é contar com o tenista depois do período de recuperação.
Brasil fica sem representante na chave de simples
A situação ficou ainda mais definida após a eliminação de Thiago Seyboth Wild no qualifying.
O brasileiro perdeu para o norte-americano Mackenzie McDonald por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 6/4, e não conseguiu avançar à chave principal. Com a desistência de Fonseca e as quedas dos demais brasileiros no qualificatório, o país ficou sem representantes na disputa individual.
É um cenário incomum para o tênis nacional. O Brasil não ficava fora da chave principal de simples masculina do US Open desde 2018.
Isso não significa, entretanto, que o torcedor brasileiro ficará sem nomes para acompanhar em Nova York.
Duplas viram principal esperança brasileira no US Open
Se a campanha individual perdeu força, o cenário é diferente nas duplas.
O principal destaque é a parceria formada por Orlando Luz e Rafael Matos.
Os dois chegam ao US Open em um dos melhores momentos da carreira. Em agosto, Luz e Matos conquistaram o Masters 1000 de Montreal, derrotando Marcelo Arévalo e Mate Pavić na decisão. Com o título, tornaram-se a primeira dupla totalmente brasileira a conquistar um Masters 1000.
E eles não pararam por aí.
Na semana seguinte, a parceria venceu novamente, desta vez em Cincinnati. O título sobre Constantin Frantzen e Robin Haase representou o segundo Masters 1000 consecutivo da dupla brasileira.
O momento colocou os brasileiros entre as principais duplas da temporada e aumentou a expectativa para o Grand Slam nova-iorquino.
No ranking de duplas da ATP consultado em 28 de agosto, Matos aparece na 16ª posição e Luz na 13ª. O desempenho também os mantém na disputa por uma vaga no ATP Finals, torneio que reúne as oito melhores equipes da temporada.
Luz e Matos chegam ao US Open com confiança
A sequência recente ajuda a explicar por que as duplas são a principal esperança brasileira no torneio.
Antes dos dois Masters 1000, Luz e Matos já haviam conquistado títulos em Buenos Aires e Santiago em 2026. A parceria também acumulou outros resultados importantes ao longo da temporada.
O crescimento é particularmente relevante porque o US Open será disputado em quadras duras, superfície na qual a dupla chega embalada depois de dois grandes resultados consecutivos.
O desafio, porém, será enorme.
O torneio reúne as melhores parcerias do mundo, e a chave masculina de duplas ainda será divulgada oficialmente em 2 de setembro. Por isso, em 28 de agosto ainda não é possível apontar adversários ou projetar o caminho dos brasileiros no mata-mata sem correr o risco de utilizar informações desatualizadas.
Luisa Stefani também é nome para ficar de olho
No tênis feminino, o principal nome brasileiro nas duplas é Luisa Stefani.
A paulista vive uma das melhores temporadas de sua carreira. Em julho, ela foi vice-campeã de Wimbledon ao lado da canadense Gabriela Dabrowski e alcançou a quarta posição do ranking mundial de duplas da WTA.
A parceria com Dabrowski foi retomada em 2026 e voltou a apresentar resultados importantes. As duas conquistaram o WTA 1000 de Dubai no início do ano e chegaram à final de Wimbledon.
Stefani também tem um histórico importante no US Open. A brasileira já chegou à semifinal da competição em duplas femininas e retorna a Nova York após um período de tratamento de um problema no cotovelo. Association+1
A brasileira chegou a disputar o qualificatório de duplas mistas ao lado do britânico Neal Skupski, mas a parceria não avançou para a chave principal. A atenção de Stefani agora se volta para as duplas femininas, ao lado de Dabrowski.
A chave feminina de duplas será divulgada em 1º de setembro, portanto ainda é cedo para saber o caminho exato da brasileira no torneio.
O que esperar dos brasileiros no US Open 2026?
O panorama brasileiro é, portanto, bastante diferente entre simples e duplas.
Na chave individual, a participação brasileira terminou antes mesmo do início da chave principal. João Fonseca ficou fora por lesão, enquanto Thiago Seyboth Wild não conseguiu superar o qualifying.
Nas duplas, porém, existe uma perspectiva muito mais positiva.
Luz e Matos chegam ao Grand Slam depois de vencerem dois Masters 1000 consecutivos. A dupla também está bem posicionada na corrida para o ATP Finals, aumentando a importância de cada rodada disputada em Nova York.
Luisa Stefani, por sua vez, chega com o peso de uma temporada de alto nível e com uma parceria consolidada com Dabrowski. O vice-campeonato de Wimbledon mostra que a brasileira tem condições de competir contra as melhores do mundo.
Quando começa o US Open 2026?
O US Open será realizado no complexo do USTA Billie Jean King National Tennis Center, em Flushing Meadows, Nova York.
A chave principal de simples começa em 30 de agosto e o torneio segue até 13 de setembro. As disputas são realizadas em quadra dura.
A programação também terá uma particularidade em 2026: o torneio de duplas mistas foi realizado antes do início tradicional das chaves de simples, entre 24 e 26 de agosto.
Para o público brasileiro, entretanto, o foco passa agora para as duplas masculinas e femininas, cujas chaves serão definidas no início de setembro.
O que acontece depois do US Open para João Fonseca?
Para João Fonseca, o próximo grande compromisso projetado é a Copa Davis.
O Brasil enfrentará a Suíça nos dias 18 e 19 de setembro, no Rio de Janeiro. A equipe brasileira terá Fonseca como um dos principais nomes, além de Gustavo Heide e Matheus Pucinelli nos jogos de simples e Orlando Luz e Rafael Matos como dupla.
A convocação transforma a recuperação de Fonseca em um dos pontos de atenção do tênis brasileiro nas próximas semanas.
Se o tratamento evoluir conforme o esperado, o confronto da Davis poderá marcar o retorno do jovem tenista às quadras depois da ausência no US Open.
Um US Open diferente para o Brasil
O US Open 2026 não terá o cenário que muitos torcedores brasileiros esperavam.
A ausência de João Fonseca tira do torneio um dos nomes mais promissores do país e deixa o Brasil sem representante na chave principal de simples masculina. Mas o momento das duplas impede que a participação brasileira seja vista apenas pelo lado negativo.
Luz e Matos chegam a Nova York depois de uma sequência histórica, enquanto Luisa Stefani aparece novamente entre as principais jogadoras do mundo nas duplas.
Assim, a resposta para o que esperar dos brasileiros no US Open 2026 passa menos pela disputa individual e muito mais pela força construída nas duplas.
E, para João Fonseca, a prioridade agora é outra: recuperar-se totalmente e voltar às quadras no momento certo.
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