A chamada taxa das blusinhas voltou ao centro das atenções nesta terça-feira (1º), mas os consumidores brasileiros ainda terão de esperar para saber qual será o futuro do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor.
A comissão mista que analisa a Medida Provisória 1.357/2026 suspendeu a reunião prevista para esta terça e marcou uma nova tentativa de acordo para quarta-feira (2). A MP, que zerou temporariamente o Imposto de Importação para compras de até US$ 50 em plataformas enquadradas no Programa Remessa Conforme, perde a validade em 8 de setembro se não for aprovada pelo Congresso.
Na prática, a semana é decisiva para quem compra em plataformas internacionais. Se a medida for mantida, a alíquota federal continuará zerada para essa faixa. Se a MP perder a validade sem uma nova decisão legislativa, a cobrança que vigorava anteriormente poderá voltar.
O que aconteceu com a taxa das blusinhas?
A chamada taxa das blusinhas surgiu em 2024, quando compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas participantes do Remessa Conforme passaram a pagar 20% de Imposto de Importação.
A regra mudou em maio de 2026. Por meio da MP 1.357/2026, o governo passou a permitir a redução a zero da alíquota federal para compras de até US$ 50 destinadas a pessoas físicas e realizadas em empresas certificadas pelo Remessa Conforme. A Receita Federal registra atualmente alíquota de 0% nessa faixa.
A medida entrou em vigor imediatamente, mas precisava ser analisada pelo Congresso. Como toda medida provisória, ela tem validade limitada.
O prazo atual termina em 8 de setembro de 2026. A própria Câmara informa que a MP precisa ser aprovada pelos parlamentares para continuar produzindo efeitos.
Por que a votação desta semana é importante?
A comissão mista responsável pela análise da MP foi instalada em agosto, com o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) na presidência e a senadora Leila Barros (PDT-DF) como relatora.
A expectativa era que o relatório fosse analisado no início desta semana. No entanto, a falta de acordo fez a reunião ser adiada novamente.
Nesta terça-feira, o Senado informou que a reunião foi suspensa e que uma nova tentativa de negociação ocorrerá na quarta-feira, 2 de setembro, às 10h. A relatora e o presidente da comissão ainda negociam ajustes no texto.
O problema é o calendário apertado. Depois da comissão, a proposta ainda precisa passar pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado antes do fim da validade da MP.
Por isso, o consumidor ainda não sabe se a regra de imposto zero será mantida de forma definitiva.
O que pode acontecer com as compras de até US$ 50?
Existem dois cenários principais para o consumidor brasileiro.
Se a MP for aprovada
A isenção do Imposto de Importação para compras de até US$ 50 poderá continuar, conforme o texto em discussão.
Isso significa que uma compra enquadrada nas regras do Remessa Conforme não terá a cobrança dos 20% de Imposto de Importação que existia antes de maio.
Para quem compra roupas, acessórios, pequenos eletrônicos, itens para casa e outros produtos de baixo valor em plataformas internacionais, a diferença pode aparecer diretamente no preço final.
Se a MP perder a validade
Caso o Congresso não conclua a votação dentro do prazo, a medida provisória perde a validade em 8 de setembro.
Nesse cenário, a regra anterior poderá voltar a produzir efeitos, com a cobrança federal de 20% para compras de até US$ 50 dentro do Remessa Conforme, conforme as regras que vigoravam antes da MP.
É justamente essa possibilidade que torna a semana importante para os consumidores.
A mudança na tributação acontece em um momento de atenção redobrada aos preços e ao orçamento das famílias. Para entender melhor esse cenário, vale acompanhar também os efeitos recentes da inflação sobre o impacto no bolso do brasileiro, clicando aqui. Já para quem acompanha a relação entre empresas nacionais e o mercado global, outros movimentos ajudam a mostrar como o ambiente internacional também pode influenciar o consumidor e os negócios no país.
A compra de US$ 50 fica totalmente sem imposto?
Não.
Esse é um dos principais pontos que o consumidor precisa entender.
Mesmo com o Imposto de Importação zerado, o ICMS continua sendo cobrado. Segundo a Receita Federal, nas compras de até US$ 50 realizadas em plataformas certificadas pelo Remessa Conforme, o ICMS atualmente varia de 17% a 20%, dependendo do estado.
Portanto, dizer que uma compra está “isenta de imposto” pode induzir o consumidor ao erro.
O que está zerado atualmente é o Imposto de Importação federal. O imposto estadual continua fazendo parte do cálculo.
Além disso, o valor considerado para a tributação leva em conta as regras aplicáveis à operação, incluindo elementos como o valor aduaneiro. Por isso, o preço exibido no checkout da plataforma é a referência mais importante para o consumidor antes de concluir o pedido.
Por que o Remessa Conforme importa?
O Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, reúne empresas de comércio eletrônico que cumprem determinadas regras de conformidade tributária e aduaneira.
Nas plataformas certificadas, os tributos são calculados e apresentados ao consumidor durante a compra. A Receita explica que o programa também permite o tratamento aduaneiro mais rápido das remessas porque as informações são encaminhadas antecipadamente.
Isso significa que o consumidor não deve olhar apenas para o limite de US$ 50.
Também é necessário verificar se a plataforma ou operação está efetivamente enquadrada nas regras do programa.
A Receita Federal mantém uma relação de empresas certificadas e orientações específicas para compras internacionais.
E compras acima de US$ 50?
A situação é diferente.
Nas compras de valor superior a US$ 50 e de até US$ 3 mil dentro do Remessa Conforme, a regra atualmente indicada pela Receita prevê Imposto de Importação de 60%, com desconto equivalente a US$ 30 sobre o imposto calculado.
Fora do Remessa Conforme, também há regras específicas para a tributação das remessas internacionais.
A MP 1.357/2026 também alterou a estrutura legal que permite ao Ministério da Fazenda definir alíquotas dentro do regime simplificado. O texto permite, entre outras possibilidades, reduzir a alíquota para até 30% na faixa de até US$ 3 mil.
Por isso, a discussão desta semana não envolve apenas a compra de uma “blusinha” barata. Ela trata de todo o modelo de tributação das remessas internacionais de pequeno valor.
O que muda no preço para o brasileiro?
O efeito mais direto está nas compras de baixo valor.
Imagine uma mercadoria cujo preço esteja próximo do limite de US$ 50. Com o Imposto de Importação zerado, o consumidor não paga os 20% federais que incidiam anteriormente sobre essa faixa.
Isso não significa, porém, que o preço final seja 20% menor em todos os casos.
O valor cobrado pelo produto depende também do câmbio, do preço praticado pela plataforma, do frete, de eventuais descontos, do ICMS e de outros componentes da operação.
Por isso, a mudança tributária pode reduzir o custo final, mas o impacto exato varia de uma compra para outra.
Por que há pressão para mudar a regra?
A discussão opõe interesses diferentes.
De um lado, consumidores e empresas de comércio eletrônico defendem maior acesso a produtos importados e preços mais baixos.
De outro, representantes da indústria e do varejo brasileiro argumentam que a tributação é necessária para reduzir a diferença de custos entre produtos vendidos no país e mercadorias adquiridas diretamente de plataformas estrangeiras.
O debate chegou ao Congresso justamente porque a mudança tributária produz efeitos que vão além da compra individual.
A própria tramitação da MP reúne dezenas de emendas e propostas de alteração, mostrando que o texto ainda é objeto de negociação.
O que o consumidor deve fazer agora?
Para quem pretende comprar em sites internacionais nesta semana, o mais prudente é não presumir que a regra permanecerá igual nos próximos dias.
Antes de finalizar um pedido, vale conferir:
- o valor total cobrado no checkout;
- se a compra está dentro das regras do Remessa Conforme;
- o valor do Imposto de Importação;
- o ICMS informado;
- frete e demais custos;
- a cotação utilizada pela plataforma;
- as condições de pagamento e eventual conversão cambial.
A Receita Federal orienta que sites participantes do Remessa Conforme apresentem ao comprador os valores correspondentes ao produto, frete, seguro, Imposto de Importação, ICMS e outras despesas aplicáveis.
O que pode acontecer agora?
A próxima etapa será a retomada das negociações na comissão mista nesta quarta-feira (2).
Se houver acordo e o relatório avançar, a MP ainda precisará cumprir o restante do processo legislativo dentro de um prazo extremamente curto.
A Câmara já colocou a medida entre as matérias que podem ser analisadas nesta semana, e o Senado também trata a MP como uma das prioridades do esforço concentrado.
O ponto central para o consumidor é simples: a regra de imposto federal zero para compras de até US$ 50 continua valendo hoje, mas sua continuidade depende do desfecho da MP 1.357/2026.
Até que o Congresso conclua a análise, portanto, ainda não há uma resposta definitiva sobre como ficará a tributação das compras internacionais.
Para quem costuma comprar em plataformas estrangeiras, a recomendação é acompanhar o resultado da votação antes de assumir que os preços atuais permanecerão iguais ao longo de setembro.
Em resumo: a taxa das blusinhas não foi definitivamente encerrada nem restabelecida nesta terça-feira. A votação foi adiada, a MP continua em vigor e o prazo final é 8 de setembro. A decisão dos próximos dias poderá determinar se o consumidor brasileiro continuará sem o Imposto de Importação de 20% nas compras de até US$ 50 ou se a cobrança anterior voltará a valer.

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