A primavera 2026 começa oficialmente nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília. E a nova estação chega ao Brasil sob influência de um El Niño que já está configurado e que tem alta probabilidade de atingir intensidade muito forte nos próximos meses.
O cenário pode produzir diferenças importantes de uma região para outra. Enquanto o Sul tem previsão de volumes de chuva acima da média, áreas do Norte, Nordeste e parte do Brasil Central podem enfrentar menos chuva e temperaturas mais elevadas.
A estação começa, inclusive, com o país dividido entre chuva, frio e calor. Nesta terça, uma frente fria mantém instabilidades no Paraná e em partes do Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, o avanço de uma massa de ar frio derruba as temperaturas e cria condições para geada na quarta-feira em áreas gaúchas e nas serras de Santa Catarina. No interior do Nordeste, por outro lado, persistem calor e baixa umidade.
Mas o tempo desta semana não deve ser confundido com a previsão para toda a primavera. Para entender como podem ser os próximos meses, é preciso olhar os prognósticos climáticos de longo prazo.
Que horas começa a primavera 2026?
O início oficial acontece às 21h05 desta terça-feira, 22 de setembro, pelo horário legal de Brasília.
É nesse momento que ocorre o equinócio de setembro, fenômeno astronômico que marca o início da primavera no Hemisfério Sul e do outono no Hemisfério Norte.
O equinócio acontece quando, no movimento aparente do Sol visto da Terra, o astro cruza o equador celeste. Em torno dessa data, dia e noite têm duração aproximadamente semelhante.
As estações não começam sempre no mesmo dia e horário. Isso acontece porque a duração do ano astronômico não corresponde exatamente aos 365 dias usados na maior parte dos anos do calendário.
A primavera de 2026 termina em 21 de dezembro, às 18h50, quando começa o verão no Hemisfério Sul.
O El Niño já começou?
Sim.
As condições de El Niño foram confirmadas em junho de 2026, segundo o Painel El Niño elaborado por INMET, INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil Nacional e Censipam. Os modelos indicam persistência do fenômeno pelo menos até o início de 2027.
O El Niño está associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e consegue alterar padrões de circulação atmosférica em várias partes do planeta.
O fenômeno vem se intensificando ao longo dos últimos meses.
No prognóstico da primavera publicado pelo INMET em 18 de setembro, as previsões da NOAA/CPC indicavam 98% de probabilidade de condições de El Niño muito forte no trimestre outubro, novembro e dezembro.
Isso não significa, porém, que todas as regiões terão eventos extremos ou que todos os episódios de chuva e calor serão causados exclusivamente pelo El Niño.
O próprio monitoramento oficial ressalta a importância de acompanhar continuamente as previsões. A intensidade do fenômeno aumenta a possibilidade de determinados padrões climáticos, mas os impactos reais dependem também de outros sistemas atmosféricos e das condições locais.
Como pode ser a primavera 2026 no Brasil?
O prognóstico climático conjunto do INMET, CPTEC/INPE e Funceme para outubro, novembro e dezembro mostra um Brasil bastante dividido.
Sul: mais chuva, especialmente em RS e SC
A Região Sul aparece entre os principais pontos de atenção.
A previsão indica condições favoráveis para chuva acima da média nos três estados.
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os acumulados ao longo do trimestre podem ficar até 200 milímetros acima da média histórica.
A região também pode registrar episódios de tempestades associados aos chamados Complexos Convectivos de Mesoescala, capazes de provocar chuva forte, rajadas de vento, raios e eventual granizo.
Esse cenário exige atenção principalmente porque episódios de chuva excessiva associados ao El Niño podem elevar riscos de inundações em algumas áreas do Sul. O Painel El Niño destaca especialmente o Rio Grande do Sul entre os locais que precisam de acompanhamento contínuo.
Sudeste: cenário varia bastante entre os estados
No Sudeste, a previsão não é uniforme.
São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais apresentam possibilidade de chuva acima da média, com desvios positivos de até 100 mm no trimestre.
Já grande parte do Espírito Santo pode enfrentar chuva irregular e déficit de até 50 mm em relação à média.
As temperaturas tendem a ficar acima da média em toda a região, com anomalias de até 1°C em áreas centrais de Minas Gerais e no nordeste paulista.
Centro-Oeste terá contrastes
No Centro-Oeste, o norte de Mato Grosso e o norte de Goiás têm previsão de déficit de chuva.
Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás aparecem na direção oposta, com condições favoráveis a volumes acima da média.
As temperaturas devem permanecer predominantemente acima do normal, podendo chegar a cerca de 2°C acima da média no norte de Mato Grosso.
Essa diferença regional é importante também para a agricultura, já que a primavera marca o avanço do plantio de várias culturas de verão.
Norte pode enfrentar mais calor e menos chuva
A previsão climática aponta predomínio de chuva abaixo da média em praticamente toda a Região Norte entre outubro e dezembro.
Em partes de Roraima, Amazonas e Pará, os acumulados podem ficar até 200 mm abaixo da média climatológica.
Ao mesmo tempo, as temperaturas podem atingir desvios de até 2°C acima da média em algumas áreas.
Esse cenário preocupa porque a combinação entre calor e menor volume de chuva pode prolongar as condições de estiagem, reduzir a umidade do solo e aumentar a vulnerabilidade da vegetação ao fogo.
O Painel El Niño alerta para a possibilidade de aumento do risco de incêndios principalmente no Centro-Oeste, sul da Amazônia e outras áreas do interior do país.
Nordeste também tende a ter chuva abaixo da média
Na maior parte do Nordeste, o prognóstico também indica predominância de déficit de chuva.
Uma exceção possível aparece em parte do litoral leste, entre Rio Grande do Norte e Alagoas, onde os volumes podem ficar ligeiramente acima do padrão histórico.
As temperaturas tendem a ficar acima da média, com desvios que podem alcançar ou superar 2°C em algumas áreas.
Para regiões do interior, o cenário de calor associado a chuvas irregulares pode exigir atenção adicional à umidade do solo, disponibilidade de água e condições para atividades agrícolas.
A primavera será mais quente?
Em boa parte do país, a tendência é de temperaturas acima dos valores médios históricos.
Isso não significa que o Brasil ficará sob calor constante até dezembro.
Frentes frias ainda podem avançar pelo país durante a primavera — algo que já ocorre justamente na abertura da estação. O próprio INMET prevê a possibilidade de variações significativas de temperatura ao longo do período.
O que muda é a frequência e a distribuição desses episódios.
Na climatologia da primavera, o aquecimento progressivo também aumenta a possibilidade de ondas de calor e cria condições favoráveis à formação rápida de tempestades quando o ar quente e úmido encontra sistemas mais frios.
Por que a primavera costuma ter tempestades?
A primavera funciona como uma estação de transição.
No centro do Brasil, ela marca a passagem gradual da estação seca para a chuvosa. O fluxo de umidade proveniente da Amazônia ganha força e passa a alimentar chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste.
Também podem surgir os primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul, a ZCAS, sistema responsável por períodos prolongados de chuva em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e parte da Amazônia.
Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas fornece mais energia para a atmosfera.
Por isso, pancadas intensas acompanhadas de raios, rajadas de vento e granizo podem ocorrer ao longo da estação, mesmo em regiões onde o volume total de chuva do trimestre termine abaixo da média.
Como a primavera começa nesta terça?
O primeiro dia da estação já mostra justamente essa diversidade.
Segundo o INMET, a frente fria que atua nesta terça-feira mantém condições de chuva em partes do Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
São Paulo, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro estão entre as áreas com previsão de chuva e trovoadas, enquanto Mato Grosso do Sul também enfrenta instabilidade.
No Sul, o ar frio avança atrás da frente. A previsão para quarta-feira indica possibilidade de geada no Rio Grande do Sul e nas serras de Santa Catarina.
Já áreas do Nordeste continuam sob tempo seco e quente, com alertas para baixa umidade no interior.
É um retrato bastante característico da transição: a primavera começa oficialmente na mesma noite em que diferentes regiões brasileiras experimentam chuva, calor, ar seco e até frio intenso.
O que acompanhar nos próximos meses?
A principal recomendação é não interpretar uma previsão sazonal como uma previsão diária.
Dizer que o Sul pode ter chuva acima da média entre outubro e dezembro não significa que choverá continuamente. Da mesma forma, previsão de déficit no Norte ou Nordeste não elimina a possibilidade de episódios pontuais de chuva forte.
As condições precisam ser acompanhadas por meio das previsões de curto prazo e dos avisos emitidos pelo INMET, Defesa Civil e demais órgãos oficiais.
O comportamento do El Niño também continuará sendo monitorado.
Com o fenômeno já configurado e com elevada probabilidade de atingir intensidade muito forte, a primavera 2026 começa com atenção redobrada para extremos diferentes em cada parte do país: excesso de chuva no Sul, irregularidade das precipitações no centro-norte e temperaturas elevadas em grande parte do território brasileiro.
Para continuar entendendo como outros fenômenos naturais acontecem, veja também por que alguns terremotos conseguem produzir tsunamis e outros não. Terremotos e tsunamis: por que alguns terremotos provocam ondas gigantes e outros não?
