Aguarde, carregando o site...
Terremotos e tsunamis: por que alguns terremotos provocam ondas gigantes e outros não?
Anúncios

Um terremoto de magnitude 7 pode sacudir cidades, provocar danos e ainda assim não produzir um tsunami significativo. Em outro ponto do planeta, um grande abalo submarino pode deslocar o oceano e colocar regiões costeiras a milhares de quilômetros em alerta.

A relação entre terremotos e tsunamis parece direta, mas a magnitude é apenas uma parte da explicação. Para que surja um tsunami importante, é necessário que uma grande massa de água seja deslocada rapidamente — geralmente pela movimentação vertical do fundo oceânico.

É por isso que localização, profundidade, tipo de falha e extensão da ruptura podem ser tão importantes quanto o número exibido na escala de magnitude.

Anúncios

Terremotos e tsunamis: qual é a ligação entre os fenômenos?

Um tsunami não é simplesmente uma onda muito alta. Ele corresponde a uma série de ondas extremamente longas produzidas quando uma grande quantidade de água é retirada abruptamente de sua posição de equilíbrio.

Segundo os Centros de Alerta de Tsunami dos Estados Unidos, terremotos são a principal origem desses eventos, embora deslizamentos, atividade vulcânica e outros fenômenos também possam deslocar água suficiente para produzir tsunamis.

Quando uma ruptura subterrânea eleva ou abaixa rapidamente o leito oceânico, a água localizada sobre essa área também é deslocada. A gravidade tenta restabelecer o equilíbrio e a perturbação começa a se espalhar pelo oceano.

Essa é a peça fundamental para compreender por que dois terremotos de magnitudes semelhantes podem produzir consequências completamente diferentes.

Você sabia?

Um tsunami pode atravessar o oceano profundo a velocidades superiores a 970 km/h e ainda apresentar pouca altura em mar aberto. Ao chegar a águas mais rasas, sua velocidade diminui e a onda pode aumentar significativamente de altura.

1. O terremoto precisa ocorrer no lugar certo

Anúncios

O primeiro fator é bastante intuitivo: para deslocar diretamente o oceano, o terremoto normalmente precisa ocorrer sob o mar ou muito próximo dele.

Um terremoto gigantesco no interior de um continente pode provocar enorme destruição, mas não movimentará diretamente uma grande coluna de água oceânica.

Já uma ruptura submarina tem potencial para deformar o leito marinho.

A NOAA informa que a maioria dos tsunamis associados a terremotos ocorre após abalos superiores a magnitude 7, localizados sob ou próximos ao oceano e, geralmente, a menos de aproximadamente 100 quilômetros de profundidade. Esses valores funcionam como referências gerais, e não como uma regra absoluta.

2. A profundidade do terremoto faz diferença

A profundidade do foco sísmico também influencia bastante o potencial de geração de tsunami.

Um terremoto muito profundo pode ser sentido em uma área enorme, mas a ruptura ocorre distante demais da superfície para provocar grande deformação do fundo do oceano.

Por isso, eventos rasos são os que mais preocupam quando coincidem com outras condições favoráveis à geração de um tsunami.

De acordo com a NOAA, terremotos com focos abaixo de aproximadamente 100 quilômetros de profundidade são muito mais propícios a deslocar o fundo marinho de maneira eficiente.

Isso explica por que um terremoto profundo e de grande magnitude pode não produzir um tsunami relevante.

3. O tipo de falha pode ser decisivo

Aqui está uma das diferenças mais importantes na relação entre terremotos e tsunamis.

Existem diferentes maneiras pelas quais blocos da crosta terrestre podem se movimentar durante um terremoto.

Nas chamadas falhas de empurrão, comuns em zonas de subducção, um bloco pode subir em relação ao outro. Quando isso acontece debaixo do oceano, uma extensa área do leito marinho pode ser elevada abruptamente.

O USGS afirma que terremotos de empurrão são muito mais propensos à geração de tsunamis do que terremotos transcorrentes.

E o que acontece nas falhas transcorrentes?

Em uma falha transcorrente, o movimento ocorre principalmente na horizontal.

Imagine dois grandes blocos deslizando lateralmente um ao lado do outro. Pode ocorrer um terremoto muito forte, mas sem levantar ou abaixar significativamente o fundo marinho.

Nesse cenário, há menos deslocamento vertical da água.

Por isso, grandes terremotos transcorrentes normalmente têm potencial tsunamigênico menor.

Mas existem exceções.

O USGS documenta situações nas quais falhas predominantemente transcorrentes produziram tsunamis por causa de componentes verticais do movimento, deformações do terreno ou deslizamentos submarinos desencadeados pelo próprio terremoto.

Um exemplo ocorreu em Palu, Indonésia, em 2018. O terremoto de magnitude 7,5 apresentou mecanismo predominantemente transcorrente, mas foi acompanhado por um tsunami; o USGS registra ondas estimadas em aproximadamente 7 metros em Palu.

Leia também: Por que alguns terremotos rasos podem causar mais danos do que abalos de maior magnitude?

4. O tamanho da área rompida também importa

Imagine levantar um pequeno pedaço do fundo do oceano. O volume de água deslocado tende a ser limitado.

Agora imagine uma ruptura que se estende por centenas de quilômetros.

A diferença é enorme.

A NOAA destaca que o tamanho inicial de um tsunami depende, entre outros elementos, da quantidade de deformação vertical do leito oceânico e da extensão da área afetada.

Grandes terremotos de subducção podem romper segmentos extremamente extensos.

O terremoto de Sumatra, em 26 de dezembro de 2004, atingiu magnitude 9,1. Segundo a NOAA, a ruptura se estendeu por aproximadamente 800 milhas — cerca de 1.300 quilômetros — e gerou um tsunami observado em toda a região do oceano Índico e muito além dela.

[INSERIR MAPA/INFOGRÁFICO: Sumatra 2004 e Japão 2011, mostrando zonas de subducção e propagação dos tsunamis pelo oceano.]

Magnitude alta significa automaticamente tsunami?

Não.

Embora a magnitude seja extremamente importante, ela não determina o resultado sozinha.

O USGS utiliza algumas faixas gerais baseadas em observações históricas:

Magnitude do terremotoPotencial geral de tsunami
Abaixo de 6,5Muito improvável
6,5 a 7,5Normalmente não produz tsunami destrutivo
7,6 a 7,8Pode gerar tsunami destrutivo próximo à fonte
7,9 ou maiorPode produzir tsunami local destrutivo e efeitos em áreas mais amplas

Essas faixas não funcionam como limites rígidos. Profundidade, localização e mecanismo da falha continuam essenciais.

Portanto, é perfeitamente possível que um terremoto de grande magnitude não gere uma onda destrutiva.

Por que as zonas de subducção geram tanta preocupação?

Alguns dos maiores desastres envolvendo terremotos e tsunamis ocorreram em zonas de subducção.

Nessas regiões, uma placa tectônica mergulha sob outra. Partes do contato podem permanecer bloqueadas durante décadas ou séculos enquanto a tensão continua se acumulando.

Quando ocorre uma ruptura de grande escala, a placa superior pode se deslocar abruptamente e levantar grandes áreas do fundo marinho. A NOAA descreve justamente esse mecanismo como uma das principais formas de iniciar um tsunami.

Dois casos ajudam a visualizar o potencial dessas estruturas.

Em 2004, o terremoto de magnitude 9,1 de Sumatra gerou um dos tsunamis mais devastadores já registrados.

Em 11 de março de 2011, um terremoto de magnitude 9,1 na costa nordeste do Japão também gerou um grande tsunami no Pacífico.

Como uma onda quase imperceptível cresce perto da costa?

Em oceano profundo, a energia de um tsunami está distribuída ao longo de ondas extremamente compridas.

Sua passagem pode ser praticamente imperceptível para embarcações em alto-mar.

A situação muda à medida que o tsunami se aproxima da costa.

Quando a profundidade diminui, a onda perde velocidade e sua altura pode aumentar. Esse processo é conhecido como shoaling. O formato do litoral, a inclinação do fundo, baías, rios e outras características também podem modificar bastante a altura e a inundação produzidas localmente.

Por isso, uma mesma sequência de ondas pode produzir impactos muito diferentes em localidades relativamente próximas.

Um tsunami também pode surgir sem um grande terremoto

Embora a relação entre terremotos e tsunamis seja a mais conhecida, terremotos não são a única origem dessas ondas.

Deslizamentos submarinos podem deslocar volumes enormes de água.

Quando uma massa de sedimentos despenca por uma encosta submersa, ela empurra a água ao redor e pode gerar um tsunami local.

Também existem deslizamentos que partem de terra firme e caem diretamente em baías, lagos ou fiordes.

Em agosto de 2025, por exemplo, o USGS documentou um grande deslizamento em Tracy Arm, no Alasca, que atingiu a água e gerou um tsunami local.

Erupções vulcânicas e outros fenômenos capazes de deslocar rapidamente uma grande coluna de água também podem produzir tsunamis, embora sejam menos comuns.

O primeiro tsunami pode não ser a maior onda

Outro equívoco comum é imaginar um tsunami como uma única onda.

Na realidade, ele ocorre como uma sequência de ondas.

O nível do mar e as correntes podem permanecer perigosos durante horas. Por isso, não é seguro retornar à praia simplesmente porque a primeira onda passou.

Os centros oficiais recomendam aguardar a liberação das autoridades antes de voltar às áreas evacuadas.

Dica de Segurança

Se estiver próximo da costa e sentir um terremoto forte ou prolongado, observar uma alteração incomum do nível do mar ou ouvir um forte ruído vindo do oceano, considere esses sinais como possíveis avisos naturais de tsunami. A orientação oficial é buscar imediatamente terrenos elevados ou afastar-se da costa seguindo as rotas locais de evacuação.

Leia também: Terremotos na Venezuela: quais foram os maiores abalos já registrados no país?

Quatro perguntas ajudam a entender o risco

Ao avaliar a relação entre terremotos e tsunamis, observar somente a magnitude pode levar a conclusões erradas.

Quatro perguntas oferecem uma leitura muito mais útil:

  1. O terremoto ocorreu sob ou próximo do oceano?
  2. O foco foi suficientemente raso?
  3. Houve movimento vertical significativo do fundo marinho?
  4. A área da ruptura foi grande o bastante para deslocar uma enorme massa de água?

Quanto mais dessas condições forem atendidas, maior tende a ser o potencial de geração de tsunami.

Mesmo assim, os centros de alerta analisam dados sísmicos e informações sobre o nível do mar para avaliar o que realmente está acontecendo no oceano.

O mecanismo importa mais do que apenas o número da magnitude

Entender terremotos e tsunamis exige ir além da ideia de que todo terremoto forte no mar produzirá uma onda gigante.

Grandes terremotos rasos de empurrão em zonas de subducção estão entre os eventos mais eficientes em deformar verticalmente extensas áreas do fundo oceânico.

Terremotos profundos, continentais ou predominantemente horizontais costumam apresentar potencial menor.

A magnitude continua sendo uma informação decisiva, mas precisa ser interpretada junto à profundidade, localização, mecanismo da falha e extensão da ruptura.

É essa combinação que transforma um grande terremoto em um evento capaz — ou não — de movimentar o oceano.

Perguntas frequentes sobre Terremotos e Tsunamis

Todo terremoto no oceano provoca tsunami?

Não. Muitos terremotos submarinos não deslocam o fundo oceânico verticalmente em quantidade suficiente para produzir um tsunami significativo. Magnitude, profundidade e mecanismo da falha são fundamentais.

A partir de qual magnitude um terremoto pode provocar tsunami?

Não existe um limite absoluto. Eventos abaixo de magnitude 6,5 são considerados muito improváveis de gerar tsunami, enquanto terremotos maiores apresentam potencial crescente quando ocorrem nas condições geológicas adequadas.

Por que terremotos de subducção podem gerar grandes tsunamis?

Porque podem romper áreas muito extensas e provocar forte deslocamento vertical do fundo oceânico, movimentando toda a coluna de água localizada acima da ruptura.

Pode existir tsunami sem terremoto?

Sim. Deslizamentos submarinos ou costeiros, atividade vulcânica e outros eventos capazes de deslocar rapidamente grandes massas de água também podem gerar tsunamis.

Quem leu esse artigo se interessou também em ler:

Terremotos na Venezuela: por que ocorrem e o que explica a interação entre as placas do Caribe e Sul-Americana?

Redação Central da Notícia

By Redação Central da Notícia

A Redação Central da Notícia é formada por jornalistas e colaboradores que produzem conteúdo sobre tecnologia, inovação, digital e sociedade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *