Instalar energia solar pode parecer simples para quem vê apenas os painéis no telhado. Mas, na prática, o trabalho envolve dois riscos que não podem ser tratados como detalhe: eletricidade e altura. É exatamente nesse ponto que entram a NR10 e NR35, duas normas fundamentais para quem deseja atuar com mais segurança no mercado fotovoltaico.
Quem ignora essas exigências pode pagar caro. Um erro em uma instalação solar pode gerar acidente, queda, choque elétrico, retrabalho, dano ao telhado, perda de equipamentos, atraso na obra, reclamação do cliente e até prejuízo jurídico para a empresa. Em um setor competitivo, segurança não é burocracia: é parte do custo real de trabalhar bem.
A NR10 trata da segurança em instalações e serviços com eletricidade, exigindo medidas de controle para risco elétrico e outros riscos adicionais. Já a NR35 estabelece requisitos e medidas de prevenção para trabalho em altura, envolvendo planejamento, organização e execução segura da atividade. Essas duas normas se conectam diretamente com a rotina de instaladores, auxiliares, técnicos de manutenção, eletricistas e equipes de operação em sistemas fotovoltaicos.
O mercado solar continua relevante no Brasil. A ANEEL projetou crescimento de 9.142 MW na potência instalada brasileira em 2026, o que reforça a necessidade de profissionais mais preparados para atender uma cadeia que envolve instalação, manutenção, operação e segurança.
O que são NR10 e NR35?
Antes de entender a aplicação na energia solar, é importante separar as duas normas.
O que é NR10?
A NR10 é a Norma Regulamentadora voltada à segurança em instalações e serviços com eletricidade.
Ela trata de medidas de controle, procedimentos, capacitação, proteção coletiva e individual, análise de risco e condições de segurança para trabalhadores que interagem direta ou indiretamente com instalações elétricas. A própria norma determina que, em intervenções em instalações elétricas, sejam adotadas medidas preventivas de controle do risco elétrico e de outros riscos adicionais.
Na energia solar, isso importa porque sistemas fotovoltaicos envolvem:
- cabos;
- inversores;
- corrente contínua;
- corrente alternada;
- string box;
- disjuntores;
- DPS;
- aterramento;
- quadros elétricos;
- conectores;
- comissionamento;
- manutenção e diagnóstico de falhas.
Mesmo quando o sistema parece “desligado”, ainda pode haver risco. Por isso, conhecimento elétrico e procedimento correto não são opcionais para quem atua em campo.
O que é NR35?
A NR35 é a Norma Regulamentadora voltada ao trabalho em altura.
Ela estabelece requisitos e medidas de prevenção para atividades realizadas em altura, considerando planejamento, organização e execução segura do trabalho. A norma considera trabalho em altura atividades executadas acima de 2 metros do nível inferior, quando existe risco de queda.
Na energia solar, esse ponto é central porque muitas instalações acontecem em:
- telhados residenciais;
- galpões;
- coberturas metálicas;
- estruturas industriais;
- lajes;
- usinas em estruturas elevadas;
- locais com acesso difícil.
Ou seja, o instalador solar não trabalha apenas com painéis. Muitas vezes, ele trabalha em locais onde uma falha de segurança pode causar acidente grave.
Por que NR10 e NR35 são tão importantes na energia solar?
A energia solar reúne dois ambientes de risco em uma mesma operação: instalação elétrica e trabalho em altura.
Um profissional pode estar sobre um telhado, manuseando módulos, cabos e conectores, exposto ao sol, vento, inclinação, telhas frágeis e risco elétrico. Isso exige mais do que boa vontade ou experiência informal.
As normas ajudam a organizar o trabalho para reduzir riscos e aumentar a previsibilidade da operação.
Elas protegem o trabalhador
O primeiro objetivo é preservar a vida e a saúde de quem executa o serviço.
Choque elétrico, queda, queimadura, corte, tropeço, perda de equilíbrio e uso inadequado de ferramenta estão entre os riscos que podem aparecer em instalações fotovoltaicas.
Elas protegem a empresa
Uma empresa que não cuida de segurança pode enfrentar prejuízos operacionais, afastamentos, paralisação de obra, fiscalização, multa, perda de cliente e dano à reputação.
Elas protegem o cliente
Instalação mal executada pode causar infiltração, baixa geração, falhas elétricas, equipamentos danificados e dificuldade de manutenção futura.
Elas melhoram a qualidade da entrega
Equipe treinada tende a seguir procedimento, organizar melhor o canteiro, reduzir improvisos e entregar um sistema mais confiável.
Quem precisa de NR10 e NR35 na energia solar?
Nem todo profissional do mercado solar precisa das duas normas. A necessidade depende da função.
Profissionais que devem priorizar NR10
A NR10 é especialmente importante para:
- eletricistas;
- instaladores solares;
- auxiliares que atuam próximos a circuitos elétricos;
- técnicos de manutenção;
- profissionais de comissionamento;
- equipes de operação e manutenção;
- líderes de obra;
- profissionais que acessam inversores, quadros e proteções.
A norma menciona treinamento específico para trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas, considerando riscos decorrentes do emprego da energia elétrica e medidas de prevenção.
Profissionais que devem priorizar NR35
A NR35 é essencial para:
- instaladores que sobem em telhados;
- auxiliares de montagem;
- técnicos de manutenção em cobertura;
- profissionais que limpam módulos em altura;
- supervisores que acessam áreas elevadas;
- equipes que trabalham em galpões, lajes e estruturas metálicas.
A NR35 também define critérios relacionados ao trabalhador autorizado para trabalho em altura, incluindo capacitação, avaliação de saúde e anuência formal da empresa.
Profissionais que talvez não precisem das duas
Quem atua somente em vendas, atendimento, marketing, administrativo ou pré-venda pode não precisar de NR10 e NR35 para sua rotina direta. Ainda assim, entender o básico dessas normas ajuda a vender melhor, orientar o cliente com responsabilidade e evitar promessas incompatíveis com a realidade da obra.
NR10 e NR35 são obrigatórias para instalador solar?
Para quem atua em campo com eletricidade e altura, elas são fundamentais.
A instalação solar normalmente envolve componentes elétricos e, em muitos casos, acesso a telhados ou estruturas elevadas. Portanto, a empresa e os profissionais precisam avaliar os riscos da atividade e garantir capacitação adequada, procedimentos, equipamentos e autorização compatível com o trabalho realizado.
O ponto mais importante é: não trate NR10 e NR35 como “certificados para colocar no currículo”. Elas existem para orientar práticas de segurança em situações reais.
Um instalador com certificado, mas sem procedimento e sem prática segura, continua exposto ao risco. Da mesma forma, uma empresa que exige pressa, mas não organiza segurança, aumenta a chance de acidente e retrabalho.
Diferença prática entre NR10 e NR35 na energia solar
| Norma | Foco principal | Aplicação na energia solar | Principal risco evitado |
|---|---|---|---|
| NR10 | Eletricidade | Cabos, inversores, string box, quadros, proteções, manutenção | Choque elétrico, arco, falha elétrica |
| NR35 | Trabalho em altura | Telhados, galpões, lajes, estruturas elevadas | Queda, desequilíbrio, acesso inseguro |
| NR10 + NR35 | Segurança integrada | Instalação completa em telhados com componentes elétricos | Acidente grave, prejuízo e paralisação |
Na prática, as duas normas se complementam. Uma instalação solar em telhado pode exigir atenção simultânea à segurança elétrica e ao risco de queda.
O erro mais comum na energia solar
O erro mais comum é achar que instalação fotovoltaica é apenas montagem mecânica.
Muitos iniciantes pensam que basta fixar os painéis, passar cabos e conectar equipamentos. Essa visão é perigosa porque ignora riscos críticos:
- telhado frágil;
- inclinação;
- calor excessivo;
- cabo mal organizado;
- conector incompatível;
- ausência de proteção adequada;
- falha de aterramento;
- falta de análise de risco;
- ausência de linha de vida;
- uso incorreto de escada;
- improviso com ferramentas;
- pressa para terminar a obra.
Esse tipo de erro pode até não aparecer no primeiro dia. Mas aparece depois em forma de manutenção corretiva, queda de geração, acidente, reclamação ou custo extra.
Quanto isso pode custar?
Ignorar NR10 e NR35 pode gerar impacto financeiro em várias frentes.
Custo de acidente
Um acidente pode gerar afastamento, indenização, paralisação da obra, investigação interna, fiscalização e impacto na reputação da empresa.
Custo de retrabalho
Instalação feita sem procedimento pode exigir retorno da equipe, troca de conectores, reorganização de cabos, correção de estrutura ou revisão elétrica.
Custo de equipamento
Um erro elétrico pode danificar inversor, string box, cabos ou proteções. Em alguns casos, a perda de um equipamento pode comprometer a margem do projeto.
Custo de cliente insatisfeito
Cliente que percebe improviso na instalação tende a perder confiança. Isso pode gerar reclamação, cancelamento de indicação e dificuldade de vender novos projetos.
Custo de imagem
No mercado solar, reputação pesa. Uma empresa conhecida por instalação insegura ou mal executada perde competitividade, mesmo que cobre mais barato.
Como evitar prejuízo com segurança na instalação solar
A prevenção começa antes da equipe chegar ao local.
Faça análise prévia da obra
Avalie tipo de telhado, acesso, inclinação, estrutura, ponto de ancoragem, caminho dos cabos, local do inversor, área de circulação e possíveis riscos.
Tenha equipe capacitada
Quem atua com eletricidade precisa entender os riscos elétricos. Quem trabalha em altura precisa saber como se proteger contra queda.
Use EPIs adequados
Capacete, luvas, calçado adequado, óculos, cinturão, talabarte, trava-quedas e demais equipamentos devem ser definidos conforme o risco da atividade.
Organize ferramentas e materiais
Ferramenta espalhada em telhado aumenta risco de queda, tropeço e perda de produtividade.
Evite improvisos
Improvisar escada, ponto de ancoragem, conexão elétrica ou passagem de cabo pode parecer economia, mas aumenta o risco de prejuízo.
Documente procedimentos
Procedimentos claros ajudam a treinar equipe, padronizar qualidade e reduzir dependência de decisões improvisadas em obra.
O que observar antes de contratar um curso de NR10 e NR35?
Não basta procurar o curso mais barato. A escolha da capacitação afeta a segurança e a empregabilidade do profissional.
1. Conteúdo programático
Verifique se o curso apresenta os riscos, medidas de prevenção, procedimentos e obrigações compatíveis com a norma.
2. Carga horária e modalidade
Avalie se o formato atende à sua necessidade. Para quem atua em campo, é importante buscar formação que realmente prepare para situações práticas.
3. Instrutores qualificados
Professores com experiência em segurança, eletricidade, altura ou setor solar tendem a trazer exemplos mais úteis.
4. Certificação
O certificado deve ser emitido de forma adequada e com informações claras sobre carga horária, conteúdo e identificação do participante.
5. Atualização
Normas podem passar por alterações. Por isso, é importante verificar se o conteúdo está atualizado.
6. Aplicação no mercado solar
Cursos genéricos podem ajudar, mas quem trabalha com energia solar se beneficia de exemplos voltados a telhados, módulos, inversores, cabos e manutenção fotovoltaica.
NR10 e NR35 substituem curso de energia solar?
Não. Elas são formações de segurança, não cursos completos de instalação fotovoltaica.
Um profissional pode ter NR10 e NR35 e ainda assim não saber dimensionar um sistema, escolher inversor, interpretar uma conta de luz ou montar uma proposta comercial.
Da mesma forma, alguém pode fazer um curso de energia solar e não estar preparado para trabalhar com eletricidade ou altura sem capacitação específica.
O ideal é combinar:
- fundamentos de energia solar;
- instalação fotovoltaica;
- NR10;
- NR35;
- prática supervisionada;
- atualização técnica;
- conhecimento de equipamentos;
- boas práticas de manutenção.
Essa combinação forma uma base mais segura e profissional.
Comparação entre profissional preparado e profissional improvisado
| Situação | Profissional preparado | Profissional improvisado |
|---|---|---|
| Antes da obra | Avalia riscos, acesso e estrutura | Chega sem planejamento |
| Segurança | Usa EPI e segue procedimento | Depende de improviso |
| Eletricidade | Entende riscos e medidas preventivas | Subestima cabos e conexões |
| Altura | Avalia ancoragem e risco de queda | Sobe sem análise adequada |
| Produtividade | Trabalha com método | Resolve problemas no susto |
| Custo final | Reduz retrabalho | Pode gerar prejuízo oculto |
| Reputação | Passa confiança ao cliente | Transmite insegurança |
Essa diferença impacta diretamente a imagem do profissional e da empresa.
NR10 e NR35 também importam para vendedores?
Sim, mesmo que o vendedor não execute instalação.
O comercial que entende segurança vende com mais responsabilidade. Ele sabe explicar por que uma empresa séria pode não ser a mais barata, mas entrega mais proteção, procedimento e qualidade.
Isso ajuda em três pontos:
1. Valor da proposta
Segurança faz parte do preço. Uma instalação correta exige equipe preparada, equipamentos, tempo e planejamento.
2. Redução de objeções
Quando o cliente compara apenas preço, o vendedor pode explicar o risco de contratar uma instalação improvisada.
3. Alinhamento com a equipe técnica
Vendedor que entende a operação evita prometer prazos ou condições que a equipe de instalação não consegue cumprir com segurança.
Empresas solares devem exigir NR10 e NR35?
Empresas que atuam com instalação e manutenção devem levar essas normas a sério.
Além de proteger a equipe, isso ajuda a criar padrão operacional. Um negócio solar que cresce sem processo de segurança pode até vender mais no curto prazo, mas tende a enfrentar gargalos em qualidade, retrabalho e risco operacional.
Uma empresa organizada deve observar:
- capacitação da equipe;
- validade e atualização dos treinamentos;
- EPIs adequados;
- procedimentos de trabalho;
- análise de risco;
- autorização dos trabalhadores;
- documentação;
- supervisão;
- plano para emergência;
- gestão de fornecedores e terceirizados.
Segurança também é gestão.
Como usar NR10 e NR35 para se diferenciar no mercado
Para o profissional, ter capacitação e postura segura pode ser um diferencial real.
Um instalador que entende NR10 e NR35 transmite mais confiança para empresas, clientes e equipes. Ele mostra que não está apenas buscando serviço, mas construindo uma atuação profissional.
Essa diferenciação pode aparecer em:
- entrevistas de emprego;
- contratação como terceirizado;
- propostas comerciais;
- parcerias com integradores;
- liderança de equipe;
- prestação de serviços de manutenção;
- relacionamento com clientes exigentes.
No mercado solar, o profissional que reduz risco vale mais.
Checklist final: NR10 e NR35 na energia solar
- Entenda que energia solar envolve risco elétrico e trabalho em altura.
- Faça NR10 se for atuar com instalações, serviços elétricos ou manutenção.
- Faça NR35 se for acessar telhados, lajes, galpões ou estruturas elevadas.
- Não trate certificado como substituto de prática segura.
- Verifique se o curso está atualizado.
- Priorize formações com aplicação prática.
- Use EPIs compatíveis com a atividade.
- Avalie o local antes de iniciar a instalação.
- Não improvise acesso, ancoragem ou conexão elétrica.
- Organize ferramentas e cabos durante a obra.
- Documente procedimentos.
- Respeite limites técnicos e peça apoio de profissional habilitado quando necessário.
- Lembre que segurança também protege margem, reputação e continuidade do negócio.
FAQ — Perguntas frequentes
NR10 e NR35 são obrigatórias para trabalhar com energia solar?
Para funções de campo que envolvem eletricidade e trabalho em altura, elas são fundamentais. A necessidade depende da atividade executada, do risco envolvido e da responsabilidade da empresa ou profissional.
Qual a diferença entre NR10 e NR35?
A NR10 trata de segurança em instalações e serviços com eletricidade. A NR35 trata de trabalho em altura e medidas de prevenção contra queda. Na energia solar, as duas normas frequentemente aparecem juntas em instalações em telhados.
Quem trabalha só com vendas precisa de NR10 e NR35?
Normalmente, não. Mas entender o básico dessas normas ajuda o vendedor a explicar a importância de contratar uma empresa séria, com equipe preparada e instalação segura.
NR10 e NR35 bastam para ser instalador solar?
Não. Elas são formações de segurança. Para atuar bem como instalador solar, também é necessário aprender fundamentos de energia fotovoltaica, instalação prática, equipamentos, ferramentas, leitura de projeto e boas práticas de campo.
A NR35 vale para qualquer trabalho em telhado?
A NR35 se aplica a trabalhos em altura acima de 2 metros do nível inferior, quando há risco de queda. Como muitas instalações solares acontecem em telhados, ela costuma ser muito relevante para o setor.
Por que essas normas impactam o custo da instalação solar?
Porque uma instalação segura exige treinamento, EPIs, planejamento, tempo de execução, análise de risco e equipe qualificada. Isso pode aumentar o custo inicial, mas reduz acidentes, retrabalhos e prejuízos futuros.
Conclusão final
A NR10 e NR35 são importantes na energia solar porque protegem o que há de mais crítico em uma instalação: a segurança da equipe, a qualidade da entrega e a confiança do cliente. A primeira atua sobre os riscos elétricos. A segunda organiza o trabalho em altura. Juntas, elas reduzem improvisos, acidentes e prejuízos.
Quem quer trabalhar no mercado solar precisa entender que segurança não é um detalhe administrativo. É parte da profissionalização do setor. Um instalador preparado, uma empresa organizada e uma equipe treinada têm mais condições de entregar projetos com eficiência, reduzir retrabalho e construir reputação.
A decisão mais inteligente é investir em capacitação, respeitar procedimentos e tratar cada obra como uma operação técnica. No fim, seguir boas práticas não apenas evita acidentes: também protege dinheiro, tempo, imagem e oportunidades futuras no mercado de energia solar.
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